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Crítica: Marcados Para Morrer (End Of Watch, 2012)

Crítica: Marcados Para Morrer (End Of Watch, 2012) - Cine ProsaDurante um incêndio, uma dupla de policiais entram na casa que está sendo consumida pelo fogo em busca de crianças que ainda estão lá, com o aumento das chamas e da fumaça, um dos policiais diz, “Eu não enxergo, cadê você.”. Fiz está mesma pergunta ao longo de toda projeção de Marcados Para Morrer, um thriller policial que utiliza a estética found footage, a famigerada “câmera na mão”. Apesar do tom documental contribuir para criação da tensão, o exagero no uso do estilo prejudica a compreensão do que se passa em diversas situações.

Dirigido e roteirizado por David Ayer, Marcados Para Morrer tem início com uma narração em off do policial Brian Taylor (Jake Gyllenhaal) que fala sobre o que é ser policial, enquanto isso, acompanhamos, através de uma câmera acoplada na viatura, uma perseguição de carros que termina com os bandidos mortos ápos uma troca de tiros, em seguida vemos Brian e seu parceiro Mike Zavala (Michael Peña) comemorando o êxito da missão. A partir dai, acompanhamos a rotina da dupla policial por um dos bairros mais perigosos de Los Angeles até o ponto em que passam a incomodar uma grande rede de tráfico.

Utilizando o estilo câmera na mão, Ayer consegue desenvolver uma linguagem narrativa que insere o público dentro do filme e cria uma tensão palpável nas incursões feitas pela dupla de policiais, deixando as cenas com um tom mais real. Mas Ayer acaba cometendo diversos exageros na tentativa de criar um tom de pura adrenalina, o que compromete o entendimento de várias situações por serem visualmente confusas. Isto, se da devido aos diversos cortes rápidos de imagens em ângulos pouco convencionais e a câmera muitas vezes dentro da própria ação, como pode ser visto na luta entre Zavala e um meliante em uma pequena sala, onde é impossível entender o mise en scene, algo que passa a ser recorrente em todas as cenas que envolvam qualquer tipo de ação. Além disso, se a princípio a ideia de utilizar este tipo de estética é fundamentada na vontade que o policial Taylor tem em produzir um trabalho para seu curso na faculdade, está base se perde rapidamente a partir do momento em que Ayer passa a capturar imagens de diversas fontes, não só da câmera que Taylor carrega ou das mini-câmeras que a dupla utiliza penduradas no bolso da camisa. Está mistura de imagens de diversas fontes torna ainda mais confusa as situações propostas, demonstrando a falta de planejamento na condução da câmera e um exagero na utilização do estilo found footage. Ao contrário que muitos pensam, para essa estilo funcionar é necessário um profundo planejamento, já que found footage impõe várias limitações. Em alguns momentos, Ayer tenta amenizar o exagero investindo em câmeras convencionais, mesmo servindo para pontuar o filme de maneira episódica, quebra o ritmo da narrativa e sua utilização soa deslocada da proposta do filme.

Se Ayer não é feliz na utilização de sua câmera, acerta em cheio no desenvolvimento da dupla de policiais. Fugindo da velha fórmula policial experiente e novato inconsequente. Aryer cria personagens equivalentes em relação à experiência policial, sem colocar um acima do outro. O que vemos em tela é uma parceria construída através da cumplicidade e da confiança que existente entre os dois policiais, além de dividirem o mesmo gosto pela ação e um senso de justiça afiado. Está dupla funciona em tela devido a dinâmica entre Gyllenhaal e Peña que se mostra o ponto forte de Marcados Para Morrer. A interação orgânica entre os dois propicia ótimos diálogos, principalmente aqueles realizados dentro da viatura que soam naturais e revelam muito da personalidade de cada um e da cumplicidade que envolve a amizade da dupla. Esta dinâmica aliada a construção dos personagens que ajudam a fazer a tensão funcionar nas cenas em que os policiais estão em ação. O perigo se torna real a partir do momento que conhecemos a fundo os personagens e passamos a nos importar com eles. O que não casa com a resolução do último ato que soa decepcionante, fugindo da proposta mais realista.

Tratando a obra como uma homenagem aos policiais, Ayer, mesmo falhando em vários aspectos, consegue humanizar e revelar as angústias e preocupações, não só dos agentes da lei, mas também de seus familiares frente à difícil tarefa de combater o crime. Isto, quando nos permite ver o que está acontecendo na tela.

Cotação:

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Ficha Técnica:

Diretor: David Ayer Elenco: Anna Kendrick, Jake Gyllenhaal, Cody Horn, America Ferrera, Frank Grillo, Michael Peña, Natalie Martinez, David Harbour, Hugh Daly, Shondrella Avery, Candace Smith, Kristy Wu, Maurice Compte Produção: David Ayer, Randall Emmett, George Furla, Mike Gunther, Matt Jackson, John Lesher Roteiro: David Ayer Fotografia: Roman Vasyanov Trilha Sonora: David Sardy Duração: 110 min. Ano: 2012 País: EUA Gênero: Drama Cor: Colorido
Distribuidora: Califórnia Filmes Estúdio: Crave Films / Emmett/ Furla Films / Envision Entertainment Corporation / Exclusive Media Group / Le Grisbi Productions Classificação: 16 anos crítica
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